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| Revista Civilização Brasileira | |
|---|---|
| Nome | Revista Civilização Brasileira |
| País | Brasil |
| Língua | Português |
| Fundada | 1930 |
| Encerramento | 1970s |
| Fundadores | Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre, Raymundo Faoro |
| Editora | Editora Civilização Brasileira |
| Frequência | Anual/Irregular |
Revista Civilização Brasileira
A revista foi uma publicação periódica brasileira dedicada à análise de temas culturais, históricos e políticos que marcaram o século XX no Brasil. Surgida no contexto das transformações intelectuais entre as décadas de 1930 e 1970, mobilizou figuras centrais das ciências sociais e das letras brasileiras em diálogo com correntes estrangeiras como o Positivismo (filosofia), o Modernismo (Brasil), o Marxismo e o Liberalismo. Atuou como espaço de articulação entre intelectuais associados a instituições como a Universidade de São Paulo, o Instituto de Arquitetos do Brasil e o Museu Paulista.
A origem remonta às iniciativas editoriais ligadas a intelectuais de São Paulo e Recife que participaram de seminários e colóquios nos anos 1930, reunindo nomes vinculados ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, ao Centro de Estudos Sociais e às redes de pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Influenciada pelas disputas intelectuais do período de Vargas, estabeleceu diálogo com representantes do Estado Novo, críticos do Positivismo (filosofia) e renovadores do pensamento nacional como Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda. Ao longo das décadas seguintes, sobreviveu a crises econômicas, censuras associadas ao Regime militar no Brasil (1964–1985) e mudanças no panorama editorial, mantendo edições periódicas patrocinadas por organizações culturais como o Instituto Moreira Salles e a Fundação Getulio Vargas.
O perfil editorial privilegiou artigos de ensaio, estudos históricos, traduções e resenhas críticos, incorporando autores filiados ao Departamento de História da USP, ao Museu Nacional (Brasil) e ao circuito de intelectuais do Jornal do Brasil. Publicou análises sobre temas como a formação do Estado brasileiro, debates sobre a escravidão vinculados a estudos de Joaquim Nabuco e Zumbi dos Palmares, discussões sobre a arquitetura moderna referindo-se a Oscar Niemeyer e Lucio Costa, e reflexões literárias envolvendo Machado de Assis, Mário de Andrade e Jorge Amado. A revista trouxe traduções de textos de Max Weber, Karl Marx, Émile Durkheim e Antonio Gramsci, conectando o panorama local a correntes europeias e norte-americanas representadas por instituições como a Biblioteca Nacional (Brasil) e a The New School.
Ao circular entre círculos acadêmicos e salões intelectuais, influenciou debates sobre identidade nacional, cidadania e projeto de desenvolvimento, entrando em diálogo com iniciativas políticas como o Plano de Metas e com intelectuais do campo jurídico vinculados ao Supremo Tribunal Federal. A revista contribuiu para a consolidação de redes de pesquisa que envolviam o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento e o Instituto Leopoldino de História e Geografia. Seu papel foi relevante em polêmicas envolvendo censura e liberdade de expressão durante o período do AI-5 e em articulações com a comunidade editorial composta por casas como a Editora Perspectiva e a Civilização Brasileira (editora).
Entre os colaboradores regulares e ocasionais destacaram-se intelectuais como Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre, Raymundo Faoro, Caio Prado Júnior, Florestan Fernandes, Celso Furtado, Roberto Schwarz, Fernando Henrique Cardoso, Denis de Moraes Rego e Nestor Garcia Canclini. Também publicaram ensaios críticos figuras do campo literário como Clarice Lispector, Graciliano Ramos e Carlos Drummond de Andrade, além de historiadores vinculados ao Instituto de Estudos Brasileiros e ao Arquivo Nacional (Brasil). Edições notáveis trataram de temas como a formação agrária, debates sobre a industrialização inspirados em textos de Paul Singer e Ignácio Rangel, e dossiês sobre a cultura popular que citaram estudos de Mário de Andrade e pesquisas etnográficas do Museu Nacional (Brasil).
A revista recebeu críticas tanto de setores conservadores como de correntes marxistas e nacionalistas; polemizou com publicações como Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e Clima (revista), e confrontou intelectuais associados ao Integralismo e a setores ligados ao Partido Trabalhista Brasileiro. Em momentos de tensão política, sofreu pressões administrativas e editoriais que resultaram em censuras pontuais e debates sobre autocrítica, envolvendo procedimentos jurídicos em tribunais como o Tribunal Superior Eleitoral em disputas por direitos autorais e patrocínios. Também foi alvo de críticas por suposta parcialidade nas leituras da história colonial relacionadas a autores como Alexandre de Gusmão e José Bonifácio de Andrada e Silva.
O legado inclui a formação de gerações de historiadores, sociólogos e críticos literários que atuaram em instituições como a Universidade Estadual de Campinas, a Fundação Oswaldo Cruz e a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Seus arquivos e acervos foram consultados por projetos em bibliotecas como a Biblioteca Mário de Andrade e centros de pesquisa do CNPq e da CAPES, influenciando livros e coleções publicadas por editoras como Companhia das Letras e Editora Perspectiva. A circulação de ideias promovida pela revista contribuiu para debates subsequentes sobre identidade cultural, políticas públicas e memória histórica em eventos como o I Simpósio Nacional de História e exposições no Museu de Arte de São Paulo.
Category:Revistas do Brasil Category:História do Brasil