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| cancioneiro brasileiro | |
|---|---|
| Name | Cancioneiro brasileiro |
| Type | coleção de canções |
| Country | Brasil |
| Language | Português |
| Period | Renascimento ao Romantismo |
cancioneiro brasileiro
O termo refere-se a coleções históricas e estudos sobre repertórios vocais e instrumentais produzidos no Brasil colonial e nas primeiras décadas do Brasil Império, envolvendo manuscritos, impressos e transcrições que dialogam com fontes europeias como o Cancionero de Palacio e o Cancionero de Palacio (manuscrito). Essas coleções vinculam práticas musicais locais a itinerários de músicos, liturgias de igrejas como a Catedral da Sé (São Paulo), núcleos culturais em cidades como Salvador, Recife e Rio de Janeiro, e a circulação de partituras entre arquidioceses, capelas e famílias rurais.
Registros apontam para atividade notável desde o período da colonização com nomes associados a ordens religiosas como os Jesuítas e instituições como o Colégio dos Jesuítas de Salvador, enquanto ofícios e festas municipais conectaram repertórios a órgãos em catedrais como a Catedral Metropolitana de Belém. Documentos contábeis e inventários nobres preservaram canções ligadas a famílias como os Souza Coutinho e os Silveira, enquanto arquivos públicos como o Arquivo Nacional (Brasil) e o Arquivo Público do Estado da Bahia guardam manuscritos que refletem práticas advindas de trafego atlântico envolvendo portos de Lisboa, Sevilha e Amsterdã. A modernidade acadêmica articulou pesquisas em universidades como a Universidade de São Paulo, a Universidade Federal de Pernambuco e a Universidade Federal do Rio de Janeiro, que promoveram edições críticas e análises comparativas com repertórios do Renascimento e do Barroco. Projetos de catalogação mobilizaram bibliotecas como a Biblioteca Nacional do Brasil e o Museu Histórico Nacional para identificar peças associadas a compositores e intérpretes locais.
Os cancioneiros incluem peças litúrgicas e profanas: motetos, vilancetes, modinhas, lundus e modinhas urbanas presentes em manuscritos encontrados em paróquias de Olinda, São Luís e Pernambuco (estado). Formalmente, apresentam polifonia quinhentista, homofonia no estilo galante e elementos híbridos derivados de práticas ibéricas como as escolas de Tomás Luis de Victoria e de compositores transatlânticos ligados ao ambiente de corte em Lisboa. Há presença de tablaturas, cifras e pautas que exibem técnicas para cravo, alaúde e viola caipira, remetendo a procedimentos de notação estudados por pesquisadores em comparações com fontes como o Cancionero de Palacio e edições de Francesco da Milano. As líricas revelam temas devocionais ligados a festas como a Festa do Divino Espírito Santo e a cultura afrocabocla marcada por sincretismos com práticas associadas a corporações como as irmandades de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.
Entre documentos estudados destacam-se manuscritos provenientes de arquivos eclesiásticos em igrejas como a Igreja de São Francisco (Salvador) e a coleção de partituras reunida por mestres de capela ligados à Catedral de Salvador. Edições críticas e coletâneas publicadas por instituições como a Biblioteca Nacional (Brasil) e editoras universitárias da Universidade de Coimbra foram fundamentais para divulgar repertório comparável ao material conservado no Arquivo Secreto Vaticano e em instituições espanholas como o Archivo General de Indias. Projetos editoriais envolveram musicólogos formados em centros como o Conservatório Brasileiro de Música e a Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que prepararam catálogos comparativos com fontes portuguesas e italianas, incluindo estudos sobre transmissões entre Lisboa e portos brasileiros.
O cânone incorpora nomes atribuídos a mestres de capela, organistas e compositores barrocos vinculados a dioceses como a Diocese de Olinda e Recife e a Arquidiocese de São Salvador da Bahia, bem como repertoires rurais associados a donos de senhorios e fazendas no Nordeste (Região Nordeste do Brasil). Figuras documentadas em inventários e contratos aparecem ligadas a redes de patronato envolvendo famílias como os Andrada e os Cavalcanti, além de instrumentistas que circulavam entre o Brasil e a Corte Portuguesa do século XVIII. Tradições regionais incluem práticas afro-brasileiras em núcleos urbanos como Salvador e manifestações sertanejas que dialogam com repertório de viola no Centro-Oeste (Região Centro-Oeste do Brasil) e no Sudeste (Região Sudeste do Brasil), criando genealogias musicais estudadas em teses na Universidade Federal da Bahia e na Universidade Estadual de Campinas.
O legado consta em transmissões orais e escritas que influenciaram música erudita, popular e folclórica em eventos como ciclos sacros em Congonhas e festas cívicas no Rio de Janeiro (cidade). A interpretação moderna recorre a ensaios e gravações realizadas por grupos vinculados ao Museu de Arte Sacra de São Paulo e a conservatórios que resgatam repertório em programas de música antiga comparados a repertórios do Barroco brasileiro. Pesquisas contemporâneas em musicologia e história cultural fomentaram exposições em instituições como o Museu Histórico Nacional e colaborações internacionais com centros como a University of Oxford e o Universidade de Cambridge para reavaliar a circulação atlântica de repertórios e práticas performativas.
Category:História da música do Brasil